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BOHEMIAN RHAPSODY: SOB PRESSÃO

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Eu já tinha ouvido falar, e também conhecia algumas músicas da banda. Mas, em 1990, quando trabalhava como copista numa empresa de engenharia, fui apresentado formalmente ao Queen.

 

Não! Não foi enquanto eu riscava linhas paralelas em papel vegetal com canetas Nankin. Nos finais de semana, para complementar a renda, eu ia lavar o carro do patrão. O fusquinha creme, ano 73, me rendeu muitos trocado se me ensinou a dirigir. Enquanto esfregava a lataria do 1300, ouvia o som que vinha do potente 3 em 1 que o Vítor exibia com invejável orgulho. O cara me catequizou o quanto pôde para eu me converter ao Rock’n Roll. Acho que deu certo, mas na verdade eu só voltava mesmo era pela grana e para dar uma volta de carro, assim que ele adormecia, depois que a cerveja fazia efeito.

 

O tempo passou, e eu não consegui me desprender do universo da criação. Comecei copista até entender que ser original seria mais interessante; e entender também que até para isso a gente tem que aprender a copiar. Com estilo, é claro.

 

 

 

Enquanto assistia à cinebiografia da banda, um outro filme passou na minha mente. Como os percalços, desafios, intempéries, buracos, barreiras, obstáculos, contratempos, dificuldades, problemas, complicações, adversidades, transtornos, embaraços, entraves, incômodos, acidentes e estorvos da vida são tão valiosos.

 

Imagine um imigrante dentuço que fazia design, e outros três ingleses, um estudante de odontologia briguento, outro de astrofísica cheio de ideias, e outro tímido estudante de engenharia elétrica. Sim, essa era a miscelânea que resultou na banda de rock mais prolífica de todos os tempos. E acredito que a variedade de suas origens e desejos pessoais eram um bom tempero, que tornou o processo criativo efervescente, dando à sua obra status de originalidade nunca antes visto.

 

Claro que tudo isso teve um preço, e não foi barato. Não darei spoilers aqui. Aquiete o seu espírito aí, se ainda não assistiu ao filme.

 

Eles experimentaram. Muito. E isso gerou muita confusão entre os membros e produtores da banda. É mais fácil achar uma fórmula e segui-la, como a maioria faz.“É mais seguro”, alguns diriam. Mas, para Farrokh Bulsara o buraco não era mais embaixo, senão onde quer que ele desejasse. Não conhece o Bulsara? Talvez o conheça pelo pseudônimo de Freddie Mercury. O cara que inventou um jeito colaborativo de produzir música, difícil de ser copiado. Sim, porque depende de sorte, é claro, para encontrar as pessoas certas, que geram a química adequada, e de sagacidade para tirar o melhor das pessoas envolvidas, e não exceder ao ponto de quebrar essa cadeia de elementos. Quase um tipo de mágica!

 

Todos os membros do Queen, cada um deles, tinham talentos impressionantes. Mas, foi a combinação dos quatro elementos que criou o seu efeito explosivo. Todos eram ótimos sozinhos, mas, combinados, eram praticamente insuperáveis. Rock clássico, progressivo, opera, hip-hop, dance, etc.; só para dar um vislumbre simples do que os caras eram capazes. E não eram apenas experimentações às cegas. Eles têm “hinos” em praticamente todos os gêneros que ousaram tocar.

 

Bohemian Rhapsody é a pedra de toque do quarteto. É uma obra-prima, que pode ser usada para avaliar toda a trajetória singular do Queen, como grupo musical, como laboratório criativo, como case de sucesso, como modelo de família, como prova de que a finitude das coisas e das pessoas pode tornar o resultado da nossa criação impossível de prever.

 

A canção, que dá nome ao longa de Bryan Singer, ainda vai tocar por muito tempo,aos ouvidos de muitas gerações, pelo simples fato de que não foi escrita apenas por um homem, mas por uma ideia que ganhou vida na mente e no coração de outras três pessoas. Gente que sabe que não vai viver para sempre, mas acredita que a sua música tem essa chance, se for feita com a emoção certa, a despeito ou tirando proveito de todas as pressões que a vida lhes impuser.

 

 

 

 

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