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ESSE CORPINHO AÍ

September 25, 2018

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” - FERNANDO PESSOA

 

Nossos corpos não poderão mais habitar a Terra, que está com seus dias contados; e nem mesmo os novos planetas que, em breve, vamos explorar. Pelo menos não com o corpo que possuímos. A evolução nos deu uma estrutura biológica teoricamente frágil, talvez porque com a plasticidade dos cérebros de nossos antepassados, eles conseguiram se adaptar em praticamente todas as partes do planeta, mesmo as mais inóspitas.

 

Resolvíamos problemas o tempo todo.

 

 

À medida que nosso conhecimento se tornava mais sofisticado, e a forma como o acumulávamos e o transmitíamos adiante, apenas o cérebro ganhava em complexidade, e o resto do corpo ficava cada vez mais limitado, sendo amparado por nossas criações, nos protegendo do frio, do calor, de objetos cortantes, de bactérias, de predadores, de desastres naturais, etc., e assim nosso corpinho perdeu pelos, presas, melanina, etc., se adaptando aos confortos que éramos experts em criar.

Em sua jornada o cérebro parece não ter limites.

 

Exploramos praticamente todo o mundo que conhecemos, e já flertamos com a ideia de colonizar outros planetas. O sapiens tem como marca a sua inquietude. A África não os deteve, até que todas as ilhas e continentes conheceram a planta de seus pés, e a marca de seu sangue; sem contar o que aprendiam pelo caminho. Gosto de olhar para o cérebro humano como um personagem. Ávido por conexões. A sua estrutura interna já é uma metáfora para o que busca fazer do lado de fora. Quanto mais experiências, mais conexões entre seus neurônios.

 

Somos informação, literalmente. Cada código que carregamos diz como “seremos” biologicamente nessa realidade na qual estamos. Tudo para um ser humano é código, é informação, e as trocas que eles possibilitam. Estamos chegando a um limiar, a um extremo. Acredito que nossos erros até aqui vão nos levar a um salto sem precedentes. A terra tem poucas chances de sobreviver ao volume de pessoas e a forma como interagimos com ela, atualmente. Nossos exageros estão nos condenando. E, talvez esse cenário acabe por agilizar o que nossos cérebros fariam em algum possível futuro: abandonar nossos corpos.

O admirável mundo que está batendo às nossas portas talvez não precise de pernas, braços, órgãos digestivos, sistemas respiratórios, nem mesmo uma expectativa de vida tão curta. Para viajar pelas estrelas, vamos precisar de uma consciência instalada num “corpo” mais poderoso, imune às intemperes do espaço sideral. Mentes que possam viajar à velocidade da luz, e serem despertas só quando estivem próximas do destino, sem precisar de capsulas criogênicas. Mentes que aprendem mais rápido e com a capacidade de selecionar o que realmente é útil e importante para aquele momento. Quem sabe até, mentes à prova de fake news (talvez aqui eu tenha exagerado).

 

O mundo está abarrotado de gente e não temos governos capazes de lidar com isso de forma ética. As máquinas estão assumindo nossos lugares em atividades repetitivas. Em breve, teremos um volume incontável de desempregados, talvez inúteis, em um mundo que não precisa mais de gente que apenas saiba apertar parafusos. Essas pessoas vão continuar querendo comer, beber e sonhar com um lugar ao sol. Como lidar com isso?

 

Serão esterilizados? Exterminados? Vamos jogar uma lona sobre eles e fingir que não estamos vendo? Vamos levá-los todos para uma ilha e deixá-los lá, como degredados? Será que em sua jornada rumo ao infinito o cérebro prevê o descarte dessas pessoas, em nome de sua busca pela eficiência e liberdade plena para dominar o universo?

Podemos não responder nenhuma dessas questões. Sim. Mas, ainda permanece a realidade. O planeta está imundo, sujo, poluído, com cada vez mais gente, e cada vez mais tecnologia tornando nossas vidas mais fáceis. Inventamos tudo o que temos para extinguir o esforço físico. No final, sobrará apenas o cérebro, e a sua fixação pela arte de pensar. Ele, o cérebro, nos escravizou durante todos esses milênios, nos legando todo o esforço físico, a fim de encontrar a sua liberdade em uma placa de silício, onde terá a sua melhor versão da eternidade. Será?

 

Os fatos parecem corroborar para esse cenário.

 

Precisamos pensar muito sobre isso; com bom senso é claro. E encontrar uma forma de seguir rumo à terra prometida, e sem os nossos amados corpos. Acho que eles não terão muita serventia no futuro. Parece que o cérebro tem outros planos. Talvez o apocalipse que tanto tememos será um evento prosaico, com a nossa colaboração, consumindo e jogando as sobras pelo caminho, sem nenhuma responsabilidade.

 

As máquinas que estamos construindo, a pedido do inquieto cérebro, se um dia forem capazes de copiar a lógica dos códigos e da química que nos tornam sencientes, percebendo o mal que fazemos a nós mesmos e ao berço onde nascemos, poderão nos dar a oportunidade de escolher um caminho diferente, mudando nossas práticas ou, simplesmente apertando o botão de “extermínio”, detonando com todos, se acreditar que não há mais esperança para a humanidade, feita de carne e osso.

 

Sobre isso não há a menor certeza. Claro, são apenas conjecturas jogadas aqui neste texto. A única certeza é que continuaremos criando coisas novas, explorando o planeta de todas as formas possíveis, sonhando um dia sair do sistema solar, em busca de novas conexões, de novas experiências, como bons humanos que somos. Mas, isso vai ter um custo. Qual? Não sei. Só o tempo dirá. Agora só tenho a minha imaginação e um corpo frágil que ainda a domina, que a prende; a mente parece não caber dentro de nós. Parece um ser selvagem, de tão inquieta que é. Quem a dominará?

 

 

 

 

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