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ESCOLAS MATAM GÊNIOS CRIATIVOS

April 30, 2018

Nosso gênio criativo natural é sufocado desde o momento em que nascemos.

 

“Uns viram o que é e perguntaram por quê.
Eu vi o que poderia ser e perguntei: por que não?” – Pablo Picasso

 

Você fala sobre todos os sonhos que tem à noite para os amigos? Teria coragem de usar a vozinha que faz quando está na sua intimidade perto de pessoas estranhas? Acredito que talvez não. A estranha natureza de nossos sonhos e o tom “ridículo” da nossa voz quando conversamos com nossos parceiros íntimos soariam constrangedores para as outras pessoas. Pelo menos é o que 98% dos adultos acreditam.

 

 

 

Lembro de quando era criança, e “roubava” a louça da minha mãe, depois de lavada, e colocava tudo dentro de uma bacia de alumínio grande, cheia de água. A ideia era montar uma cidade, usando panelas como prédios, e os garfos, facas e colheres como pontes e passarelas. Os habitantes? Sim, para ser uma cidade precisaria de vida naquele lugar. As formigas do quintal eram as protagonistas de minhas histórias. Como não tinham para onde ir, por causa da água que as rodeava, tinham que andar por toda a estrutura. Para uma criança de 5 anos era uma experiência super divertida. Não faltava alimento para meus súditos, mesmo tendo que comprar briga com a minha mãe, por tirar açúcar do seu pote. A intenção era boa. Pelo menos para mim, à época, fazia muito sentido.

 

Recentemente, assisti ao TEDxTucson com o Dr. George Land, que soltou uma bomba quando contou à plateia sobre o resultado chocante de um teste de criatividade desenvolvido para a NASA, e que depois foi usado para testar crianças em idade escolar.

 

A NASA havia contatado o Dr. George Land e Beth Jarman para desenvolverem um teste altamente especializado que lhes daria os meios para medir efetivamente o potencial criativo de seus cientistas e engenheiros. O teste acabou sendo muito bem-sucedido, mas os cientistas ficaram com algumas perguntas: de onde vem a criatividade? Algumas pessoas nascem com isso ou a desenvolvem? Ou ela é produto da nossa experiência?

 

Os cientistas então aplicaram o teste para 1.600 crianças, com idades entre de 4 e 5 anos. O que eles encontraram foi chocante. O teste que analisava a capacidade de avançar com ideias novas, diferentes e inovadoras para os problemas. Qual porcentagem dessas crianças você acha que caiu na categoria “gênios da imaginação”?

 

Um total de 98%! E ainda fica mais interessante.

 

Mas esta não é a história toda. Os cientistas ficaram tão surpresos que decidiram fazer um estudo longitudinal e testaram as crianças novamente, cinco anos depois, quando tinham dez anos de idade. O resultado? Apenas 30% das crianças se enquadraram na mesma categoria. Quando as crianças foram testadas aos 15 anos, o número caiu para 12%!

 

E quanto aos adultos? Quantos de nós ainda estão em contato com o nosso gênio criativo depois de anos de escolaridade? Infelizmente, apenas 2 por cento.

 

E agora? Podemos recuperar nossa criatividade?

 

Dr. George Land diz que temos a capacidade de estar entre os 98%, se quisermos. Pelo que descobriram nos estudos com crianças e em como o cérebro funciona, existem dois tipos de pensamento. Ambos usam diferentes partes do cérebro e é um tipo de paradigma totalmente diferente no sentido de como isso forma algo em nossas mentes. Um é chamado de divergente – que é a imaginação, usada para gerar novas possibilidades. O outro é chamado de convergente – é quando você está fazendo um julgamento, tomando uma decisão, testando algo, criticando e avaliando.

 

Assim, o pensamento divergente funciona como um acelerador e o pensamento convergente como uma espécie de freio. “Descobrimos o que acontece com essas crianças, ao educá-las, ensinamos a fazer os dois tipos de pensamento ao mesmo tempo”, diz Land. Quando alguém pede a você para ter ideias novas, assim que você as coloca para fora, o que mais ouve na escola é o seguinte: “já tentamos isso antes”, “essa é uma ideia idiota”, “isso não vai funcionar”, daí por diante.

Quando realmente olhamos para dentro do cérebro, descobrimos que os neurônios estão lutando entre si e diminuindo o poder do cérebro, porque estamos constantemente julgando, criticando e censurando, diz Land. “Se operamos com medo, usamos uma parte menor do cérebro, mas quando usamos o pensamento criativo, o cérebro se ilumina”, diz.

 

E qual é a solução?

 

Precisamos encontrar essa criança de cinco anos de novo. Essa capacidade que nós, como um ser infantil, possuímos, nunca desaparece. “Isso é algo que você exercita todos os dias quando está sonhando”, Land nos lembra. E nos desafia: ligue a sua “criança de cinco anos” e invente 25 ou 30 novas ideias sobre como usar um garfo de mesa.

 

Crianças são criativas por que não têm compromisso. Não precisam se preocupar com julgamentos alheios. Claro que são julgadas no decorrer de suas miseráveis vidas, e isso as tira seu potencial criativo, dia após dia. Digo miseráveis sem medo de ser duro ou ofensivo, porque 98 contra 2 é sacanagem. Um crime. Crianças de 5 anos tem 98% de potencial criativo inato, puro e pronto para ser desenvolvido, e ainda não somos capazes de lidar com isso. Apenas sufoca-las com imensas quantidades de tarefas, a fim de torna-las adultos exemplares, não se provou efetivo. Isso não é suficiente. E os consultórios psiquiátricos têm estatísticas para provar.

 

Em um mundo tenso, estressado, violento, dopado e anestesiado, sufocado e deprimido, há espaço para avaliações. Será que todos os excessos que assolam a sociedade não estariam ligados à essa falta de “infantilidade”? Será que não estamos sendo adultos demais. Escolas se parecem com fábricas: com uniformes, sirenes, horários e metas a serem cumpridas. Estamos produzindo alunos ao invés de dar à luz seres pensantes, intensos, cheios de sonhos estranhos, que poderiam aliviar o peso de um mundo tão maltratado, com tantas promessas vazias de conquistas que nunca chegam.

 

Escolas revolucionárias, em muitas partes do mundo, estão testando novos métodos, com menor carga horária, sem dever de casa, focada em atividades coletivas, afim de produzir ideias e pensamentos livres. E parece que está funcionando: taxas insignificantes de evasão e a constante visita ao topo dos melhores sistemas de educação do mundo. Isso já seria suficiente para provar que precisamos de mudanças. A ausência de criatividade em nosso dia a dia, a ideia de que processos criativos são perda de tempo, desnecessários ou que são privilégio de um pequeno grupo (claro que sim, já que o próprio sistema se deu ao trabalho de nos roubar essa dádiva) está tornando as coisas mais difíceis, com quantidades absurdas de pessoas incapazes de administrar as próprias vidas, tomar decisões saudáveis, votar de forma consciente e sentir níveis razoáveis de uma felicidade pura e genuína. Pode parecer loucura, mas, afinal, loucura mesmo seria ver “o que poderia ser” e não ter a coragem de perguntar: por que não?

 

 

 

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