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QUERO JANTAR COM O MORO

February 26, 2018

O botão “Publicar” já é um gatilho, e muita gente tomou gosto pelo disparo à queima roupa. A cada minuto, em todo o mundo, metralhadoras cheias de mágoas criam mais refugiados, muros e desespero que qualquer cápsula de metal deflagrada de propósito. Canetas nas mãos de políticos inescrupulosos são como balas perdidas, com endereço certo, disfarçadas de leis. Viram notícia e encontram luz e trilha sonora, para condensar o drama de quem nem entende o que significa ser protagonista em histórias que não pediram para assistir do lado de dentro da tela.

 

O professor celebridade, depois de 2 goles de Cabernet, sofreu os fortes efeitos da presença do vírus narcisiuswebs em sua corrente cognitiva. Apertou o gatilho. Daí, uma multidão sentiu algo queimando, atiçando a camada mais superficial de seu orgulho. Como todo ferido reage, ninguém quis saber os motivos do primeiro disparo: tiroteio. Parece que um bom pedaço do país parou para despejar suas lamúrias sobre o incauto professor. Começa a guerra. Ou será a epidemia?

 

O juiz, que outrora, recentemente, era uma espécie de herói, agora parece ter se metamorfoseado em algo informe, um híbrido de Medusa e Ícaro, já que voou alto demais e ninguém quer mais olhar em sua face, correndo o risco de virar pedra. O professor celebridade tomou a decisão de aceitar o convite para jantar, mas não imaginava que o vinho sairia tão caro. A ressaca foi tão pesada que a foto saiu do ar rapidamente. O problema foi o encontro em si ou o dedo no gatilho, a fim de tornar o evento público?

 

 

 

Somos reféns. Se não publicamos, nos sentimos mal. Se colocamos no ar, a coisa fede e se espalha. Haja explicações, desculpas, argumentações, descurtidas, haters… O tiro saiu pela culatra, à queima roupa, com milhões de testemunhas com o impiedoso dedo no gatilho. Quem tem a razão? O dono do primeiro disparo ou quem revidou, na expectativa de lavar o orgulho de ter sido “traído”?

 

Eu quero jantar com o Moro. Com ele e com quem for preciso, na expectativa de aprender mais e descobrir como as pessoas pensam. A fuga do debate nos torna frágeis. O afastamento da discussão madura e aberta nos coloca à mercê do vírus acima mencionado. Há falta de tolerância em nossa sociedade. Uma falta tão grande e sem dimensões que me dá medo de olhar pra ela, às vezes.

 

Como dizia Cazuza, “eu não tenho data pra comemorar, às vezes, os meus dias são de par em par, procurando agulha no palheiro”. Sim, não é fácil. Mas, precisamos de mais delicadeza com a arte de apertar o gatilho. Publicamos mais rápido do que conseguimos pensar. Daí, quase sempre, misturamos as palavras, atiramos em inocentes e a chacina não tem desculpas suficientes pra limpar o sangue que gerou. O tempo não para e os ratos se acumulam na piscina, quando as ideias não correspondem aos fatos.

 

Felizmente, esses fatos estão ocorrendo. Tais convulsões sociais, registradas nos corredores da Internet nos permitem ver o quanto somos selvagens. Espero que sejamos tão capazes de defender a diversidade em níveis mais profundos que simplesmente nos âmbitos de raça, gênero e religião. Precisamos lavar o rosto, tirar a maquiagem e revelar o ser frágil que somos. Dependentes da opinião alheia, famintos de bons argumentos e dispostos a encontrar alimento em qualquer lugar, mesmo que seja na mesa do “inimigo”.

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