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COMPLEXO DE VIRA-LATA

November 8, 2016

“Por ‘complexo de vira-lata’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.” – NELSON RODRIGUES

 

A expressão “narciso às avessas” revela o DNA de sua mãe, “complexo de vira-lata”. Diante da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, Nelson Rodrigues, talvez por serendipismo (pesquise no Google, talvez você encontre algo inesperado), cunhou o famigerado termo baseado na realidade do cão sujo e sem vergonha. Inverter o termo Narciso foi genial, já que mesmo cultivando a filosofia “plumas e paetês, every year, antes da quaresma, a nossa constante intenção talvez seja esconder a trágica e indecisa certeza de que não somos tão dignos assim.

 

 

Infelizmente, esse sentimento nos persegue desde Cabral. Tristemente, a ideia de que somos dependentes da Coroa ainda nos assombra. Fatidicamente, ainda carregamos o peso do ranso de colônia. Amargamente, ainda acreditamos ser necessário beijar o anel de algum almofadinha que mal conhecemos, e que nos mantém acuados, com o rabo entre as penas. Daí uma cultura pobre de autoestima, daí um país que acredita pouco em si, daí uma realidade em que seus protagonistas quase sempre se contentam com prêmios de coadjuvantes, de origem e qualidade duvidosas.

 

É nessa hora que percebo o terrível mal assolador da cultura de negócios do nosso país. Empresas que não dão certo porque não têm certeza do que devem fazer, quase sem propósito. Assolados por burocracia, os empreendedores tupiniquins se veem sufocados por incertezas, desde o banco da escola até a hora de assinar a falência de seus sonhos. Negócios que não têm identidade empresarial, identidade visual e nem mesmo identidade social. Faltam-lhes a certeza do “por quê” existem. Quando o objetivo se limita ao mero “ganhar dinheiro”, pagar contas e tentar sobrevier, acredito que perdemos a razão de empreender.

 

Somos tão viralatamente complexados que parece trabalharmos, às vezes, contra os nossos próprios negócios. Somos tão míopes sobre o nosso potencial, sobre o potencial de nossa sociedade, que nos contentamos em apenas revender ideias enlatadas, importadas, a um custo menor que o do concorrente, sem entender que a consciência de nosso valor nos diferencia, e que a “cultura do relacionamento” fideliza ricamente nossa base de clientes. O brasileiro tem aversão a parcerias, sem entender que a força do outro pode ser a sua fraqueza e vice-versa.

 

Jogar 500 anos de cultura vira-lata no lixo parece quase impossível. Mas, experimente acuar um cachorro de rua pra ver do que ele é capaz. Pode parecer manso perambulando pelas ruas em busca de restos de comida ou de um cafuné barato, mas, sempre foi um dos parceiros mais fiéis na defesa de seus donos. Há fibra em seu interior. Há uma energia que poucos ou quase nenhum cão fofinho poderia ter.

 

Mas é preciso que haja a descoberta de si mesmo. São necessários ajuda e mentoria, um guia e coaching de boa qualidade. A nosso favor está a sagacidade de saber sobreviver pelas ruas, adaptando-se às intempéries do dia a dia. Isso nenhuma escola ensina. A nosso favor está a “arte de se virar”, e isso nos torna essencialmente brasileiros. Basta deixar de virar alheias latas e colocar o lado certo de frente para os desafios, encarar de frente a vida e saber que pode até parecer difícil, mas nunca impossível. Isso a história já provou, pois muitos de nossos melhores heróis se pareciam com simples “vira-latas”, mas surpreenderam. Vamos deixar de “cuspir na própria imagem” e morder o calcanhar de quem ousar nos dominar. O futuro depende de nossa autoestima!

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