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EDUCAR PARA O FIM DO MUNDO

October 18, 2016

Numa das famosas palestras do aclamado Sir Ken Robinson, ele cita uma das histórias contidas em seu livro “The Element”. A gorotinha de 5 anos desenha reclinada sobre a mesa, olhos apertados enquanto morde os lábios inferiores. De repente, a professora lhe dirige a pergunta: o que você está desenhando? A pequena responde sem hesitar: eu estou desenhando Deus. Meio sem graça, a professora não perde tempo e retruca, dizendo para a sua aluna que isso seria impossível, já que ninguém sabe como Ele é. A resposta foi simples e contundente: espera só um pouquinho que a senhora vai ver.

 

Sim, esplêndido! Pelo menos pra mim.

 

 

Aquela resposta foi a mais ousada, sincera e infantil que poderia ser dada. E não interprete “infantil” literalmente ou faça isso, se quiser. Ser infantil é a única maneira de ser genial. “O reino de Deus pertence aos pequeninos”. Para a criança não existe impossível. Só um adulto acredita no poder dessa maldita palavra. Fantasiar ou acreditar que dá pra ir até lá, que tem jeito, que conseguimos, que há novos horizontes depois do velho horizonte, e que a sua única função é chamar a nossa atenção pra isso, faz parte do infinito universo infantil. A poderosa arma contra as limitações que acometem o coração humano.

 

 

COMO A ESCOLA MATA A CRIATIVIDADE

 

Um ser criativo não tem medo de errar. Ken Robinson afirma que para chegar a conclusões brilhantes a gente não pode temer o erro. Ideias geniais sempre vêm, muitas vezes, de lugares, situações e pessoas improváveis. É difícil imaginar pessoas tímidas, apavoradas com o mundo ao seu redor, aparecerem com algo extraordinário, assim, do nada. Não que seja impossível, mas, imagino eu, talvez, impensável.

 

E é aí que entra a escola. Essa mesma, para a qual a gente envia os nossos filhos, todos os dias, a fim de que aprendam alguma coisa, para que possam, depois de um diploma na mão, viver as suas vidas, pagar seus impostos e deixar um digno legado para a história. Ela, a escola, recebe os nossos rebentos, os coloca em perfeitas filas, organiza seus nomes em ordem alfabética e os ensina quanto é 2 + 2. Mas, e daí?

 

Se olharmos ao redor, veremos que há alguma coisa errada. Somos um mundo “educado”, somos um mundo “avançado”, somos um mundo “civilizado”, mas… já quase não temos mais água potável, a poluição destruiu boa parte do que conhecemos como planeta, a violência é manchete em todos os jornais, diariamente, e a pobreza infesta, praticamente, todos os países, inclusive os mais ricos. Educação não falta, o que falta é gente incomodada com a forma como nos comportamos, a maneira como lidamos com o espaço onde vivemos e o jeito como tratamos as pessoas que dividem esse mesmo espaço.

 

Manoel de Barros, ingênua e poeticamente, nos lembra do poder que há no espírito livre. “Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”, diz o poeta com propriedade. Eu acredito que somos capazes de reverter esse obscuro quadro atual. Creio que, lá no ninho da existência humana, quando a vida se inicia, seremos capazes de ensinar as crianças a importância de valorizar e defender o pensamento livre. Sem isso, seremos apenas repetidores do saber passado, ignorando o poder que as novas ideias têm.

 

Desejar que médicos, engenheiros, assistentes sociais, dentistas, professores, enfermeiros, etc. saiam daqueles meros corpinhos frágeis seria um insano crime. Sim, crime. Não precisamos de profissionais, precisamos de pessoas. Pessoas completas. Pessoas que se importem com pessoas. Pessoas que sejam sensíveis, abertas ao novo e ao máximo que puder, de alguma forma, contribuir para a renovação do que já sabemos.

 

Criar apenas repetidores é uma forma desrespeitosa de matar a nossa história. Devemos educar para o fim do mundo, desse mundo que criamos artificialmente, onde o exagero no consumo nos mantém reféns do dinheiro, da depressão, da violência e de uma política na qual não confiamos, sem fazer a menor ideia do motivo. A educação precisa fluir, para além de espaços fechados, ser estimulante e criadora de um genuíno espírito colaborativo. 

 

Genial é crer no potencial diverso das crianças. Genial é ser generoso com quem ainda não sabe que generosidade sempre muda o mundo, mesmo que isso pareça, meio, infantil…

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