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DE COSTAS PARA O FUTURO

October 18, 2016

“Não é a vida, a riqueza e o poder que escravizam as pessoas, mas se agarrar à vida, à riqueza e ao poder.” – Buda

 

Marty McFly fez aquilo que a maioria das pessoas gostaria de fazer. Na trilogia De Volta Para o Futuro, lançada em 1995, ele teve o privilégio de saltar no tempo e conhecer o passado e o futuro. Que viagem! Michael J. Fox, o ator que interpreta nosso herói, hoje com 55 anos, nem de longe se parece com a sua versão envelhecida para o cinema. A produção não responde as melhores perguntas sobre viagem temporal, mas nos serve como um excelente entretenimento e ícone pop de gerações que sofrem pesado os revezes daquilo que chamamos de vida.

 

 

 

Bolívia, Peru e Chile abrigam mais de 2 milhões de habitantes que falam a língua aimará. Para eles, o passado se encontra à nossa frente e o futuro, do lado oposto. Em sua língua, a palavra nayra é usada para descrever um objeto à nossa frente, bem como um acontecimento passado. Muito interessante. Já a palavra qhipa descreve fatos futuros e também aquilo que está atrás de nós. O costume define que, quando alguém se refere ao futuro, sempre gesticula apontando para trás, e quando se refere ao passado aponta o espaço à sua frente.

 

A grande lição deixada pelo filme, escrito e dirigido por Robert Zemeckis com a ajuda de Bob Gale e os sensacionais pitacos de ninguém menos que Steven Spilberg, é a de que estamos presos ao tempo, não interessa quando e onde. Mesmo que pudéssemos viajar no tempo, teoricamente, seríamos sempre prisioneiros das consequências de nossos atos, por mais simples ou ingênuos que fossem. É sedutor e muito emocionante imaginar poder viver experiências em outras épocas. Mas, o presente imediato não seria uma máquina do tempo?

 

Certa vez, um soldado pediu a um dos discípulos de Buda que descrevesse os ensinamentos do mestre. “Fazer o bem, evitar o mal e manter a mente pura”, respondeu o discípulo. “É isso?”, perguntou o soldado. “Uma criança de 5 anos sabe isso”. “Pode ser”, disse o discípulo, “mas poucos homens de 80 anos conseguem praticá-lo”. Se cada cultura entende o passado e futuro de formas bem diferentes, talvez seja porque a única referência que temos por certa seja o presente. Inexoravelmente.

 

Por que, se fosse possível, viajaríamos no tempo? O que nos faria querer deslocar para datas futuras ou passadas? Arrependimentos? Expectativas?

 

Toda vez que voltássemos ao passado, para corrigir algum suposto erro, teoricamente causaria uma nova sequência de eventos e possíveis novos erros. Daí a vontade de passear no tempo, novamente, para tentar maquiar a imprevisível cara do indigesto futuro que sempre nos olhará com a sua plácida e dura indiferença. A emoção que usamos como combustível para atear fogo às nossas intenções é um camaleão. “Os impulsos e as motivações são os constituintes mais simples da emoção”, afirma António Damásio, em seu livro E o Cérebro Criou o Homem. “É por isso”, continua, “que nossa alegria ou tristeza alteram o estado de nossos impulsos e motivações, mudando imediatamente nossa mistura de apetites e desejos”, afirma.

 

Como estamos presos ao presente e, inevitavelmente, às nossas emoções, que nos carregam a seu bel prazer para onde quer, qual será o destino final desse “bonde chamado desejo”?

 

Schiller diz que três aspectos têm a marcha do tempo: o futuro aproxima-se hesitante, o agora voa como seta arremessada, o passado fica eternamente imóvel. O alemão usa palavras bonitas, mas não me convence. Imagino o tempo como um sistema solar. O presente estará sempre orbitado pelo passado e futuro, juntos. Na cultura aimará o passado está logo à frente, pois acreditam que ele pode sempre ser visto, e o futuro é uma eterna surpresa, bem atrás de nós, onde os olhos não podem alcançar. Excelente viagem no tempo. O presente não está imóvel, mas é o movimento do passado e do futuro, simultaneamente, que faz com que a sua rotação simule as possibilidades de dinamitar a realidade.

Você é covarde?

 

Bom, essa pergunta colocou o destino do mundo em perigo várias vezes. As palavras mágicas “você é um covarde?” sempre incendiaram as emoções Marty McFly. O jovem se via refém do fluxo que o impelia contra a razão, e partia com sangue nos olhos, rumo ao desconhecido. E não somos diferentes dele. Ao sucumbir diante das emoções, sejam quais forem, a nossa máquina do tempo toma novos rumos, não importa a vida, as riquezas e o poder. Não importa de que lado fica o futuro.

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